Segundo ano da pandemia da Covid, 2021 foi marcado pela pressão sobre os governantes na gestão da emergência sanitária. Com o avanço da vacinação e a expectativa de volta à normalidade, as atenções agora se voltam às eleições de 2022. O Bem Paraná destaca como foi o ano dos principais atores políticos do Estado e do País, e as perspectivas para o futuro
Cartas na mesa
Bolsonaro aposta em Auxílio Brasil para recuperar popularidade e se reeleger
O presidente Jair Bolsonaro (PL) chega ao final de 2021 com a popularidade decrescente, em razão do aumento da inflação. Ele aposta no Auxílio Brasil, de R$ 400 mensais, para recuperar o terreno perdido, principalmente entre os mais pobres, para se reeleger para um segundo mandato. O aumento dos juros e as projeções de economia estagnada, porém, podem dificultar o caminho dele até as urnas de outubro.
O RETORNO
Livre dos processos da Lava Jato, Lula mira mais pobres para voltar ao Planalto
Em abril, depois que o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações da Lava Jato contra ele, o ex-presidente Lula recuperou os direitos políticos e rapidamente cresceu nas pesquisas, mirando a população mais pobre que sofre com a inflação. De ‘namoro’ com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-presidente agora busca formar uma aliança ampla, com a participação de setores do centro político para tentar voltar ao Palácio do Planalto vencendo já no 1º turno.
O OUTRO
Moro sonha em se viabilizar como a ‘terceira via’ da eleição presidencial
Em junho, o ex-juiz Sergio Moro viu o STF decidir que ele era suspeito para julgar o ex-presidente Lula. Em novembro, se filiou ao Podemos, e se lançou como pré-candidato à Presidência, tentando emplacar seu nome como o representantes da “terceira via” entre Bolsonaro e os petistas. Para isso, aposta em renovar o discurso anti-corrupção que o alçou à esfera política, mas terá que explicar sua adesão ao governo Bolsonaro, e sua saída, no que para muitos foi um ato de traição.
EM ALTA
Ratinho Jr deve buscar aliança ampla para vencer eleição já no primeiro turno
O governador Ratinho Júnior (PSD) chega ao final de 2021 “surfando” na alta popularidade e disposto a vencer a eleição para o segundo mandato já no primeiro turno. Para isso, deve montar uma coligação numerosa, mas terá que se equilibrar entre seu projeto político e o de aliados. Nesse cenário, deve evitar se envolver diretamente na eleição presidencial, já que tem boa relação com o presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu partido pode ter candidato próprio.
Novo patamar
Após combater a Covid, secretário Beto Preto pode ser candidato ao Senado
De um desconhecido ex-prefeito do interior, o secretário da Saúde, Beto Preto, foi alçado ao primeiro plano político do Estado, ao enfrentar a missão de combater à Covid. Esse novo patamar já faz com que aliados próximos o coloquem como um potencial pré-canditado ao Senado na chapa de Ratinho Jr. O problema é que a concorrência interna no grupo político do governador é grande, e inclui pesos-pesados como Alvaro Dias (Pode) e o chefe da Casa Civil, Guto Silva (PSD).
Em busca de legenda
Isolado politicamente, Requião pode acabar no PT como candidato ao governo
Em julho, o ex-governador Roberto Requião deixou o MDB depois de 40 anos, após perder a eleição para a presidência estadual do partido. Isolado politicamente, e sem legenda, pode acabar no PT como candidato ao governo para garantir um palanque estadual para Lula. Lideranças de outros partidos que ele sondou, como PDT e PSB, rechaçaram abrigar o projeto do ex-senador de tentar um quarto mandato no Palácio Iguaçu.
Herança
Investigado pela PF e CPI, Pazuello deixou ministério com 279 mil mortes por Covid
Quando deixou o general Eduardo Pazuello deixou o Ministério da Saúde, em março, o Brasil acumulava mais de 279 mil mortes pela Covid. Alvo de investigações da Polícia Federal e da CPI do Senado, foi acusado pela crise da falta de respiradores e oxigênio em Manaus (AM) e pela demora na compra de vacinas. Após deixar o cargo, teve sua gestão acusada também de corrupção na negociação com imunizantes, entre outras suspeitas, além da defesa de medicamentos ineficazes contra a doença.
Pós-pandemia
Com avanço de vacinação, Greca espera retomada e terá que definir partido
Releito em 2020, o prefeito Rafael Greca (DEM) começou 2021 em meio ao momento mais difícil da pandemia, com aumento de mortes e hospitais lotados. Superada essa fase com o avanço da vacinação, aposta na volta à normalidade. Em 2022, terá que resolver o problema do financiamento do transporte coletivo e a possibilidade de um reajuste de tarifa. Deve deixar o DEM, agora União Brasil, por outra sigla.
Pioneiro
Doria tem no início da vacinação o grande trunfo para disputa presidencial
Pré-candidato à presidência da República, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) tem como maior trunfo o fato de ter sido responsável pelo início da vacinação contra a Covid, em 17 de janeiro, forçando o governo Bolsonaro a iniciar a campanha de imunização. O fraco desempenho nas pesquisas até aqui, e as divergências internas com setores de seu próprio partido podem fazer com que ele acabe sendo abandonado à própria sorte na campanha.
Impasse
Queiroga chega ao fim do ano em briga contra vacinação de crianças
Escolhido para substituir o general Pazuello, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga chega ao final do ano envolvido em uma intensa polêmica sobre a vacinação de crianças contra a Covid. A exigência de receita médica para a imunização dos pequenos é rechaçada pelos estados e entidades médicas, e o ministro, alvo de ações no STF que questiona sua condução da Pasta durante a pandemia.