De origem militar, o chefe do Planalto voltou a dizer que mantém conversas com integrantes das Forças Armadas. "O meu relacionamento com o ministro da Defesa e com comandantes de Forças é dez. É 100%. Agora, nós conversamos onde podemos ir, onde somos prejudicados por certas ordens", declarou. Pouco depois, na mesma entrevista, descartou mais uma vez a possibilidade de uma ruptura. "Não queremos um regime de exceção."
Ainda no tema eleições, Bolsonaro voltou a questionar as pesquisas de intenção de voto. "Lula tem voto, mas não é isso que estão botando", afirmou. Em seguida, confirmou que debateria com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve enfrentar nas urnas em 2022. Em 2018, o presidente Jair Bolsonaro evitou comparecer aos debates eleitorais.
Fake News
Na avaliação do presidente Jair Bolsonaro, até STF quer se ver livre do inquérito das fake news. "Com todo respeito, sei que posso ser investigado por algo que fiz no meu governo. Mas não dessa forma, sem anuência do Ministério Público, é um negócio capenga", disse o chefe do Planalto na entrevista. "Não vou jogar fora das quatro linhas (da Constituição), mas também não posso admitir que joguem fora das quatro linhas para me atingir", acrescentou.
De forma indireta, o presidente ainda criticou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pela devolução ao governo da Medida Provisória que dificultava a remoção de conteúdos falsos das redes sociais. "Não existe a figura de devolução da Medida Provisória, engoli mais um sapo e resolvi ficar quieto", disparou.
Apesar de dizer que não deseja polemizar com o STF, Bolsonaro voltou a elogiar os atos de 7 de Setembro, marcados por ameaças à Corte e pivôs do crescimento da tensão entre os poderes. "Foi algo inacreditável, nos dá uma injeção de ânimo", disse o presidente sobre as manifestações.
Medicamentos sem eficácia
Durante a entrevista, o presidente da República voltou a criticar o passaporte da vacina e a defender seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, marcado pela defesa de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19. "Falei de tratamento precoce na ONU, 90% (do governo) não queriam que eu tocasse no assunto", lembrou Bolsonaro, voltando a dizer que tomaria o kit covid novamente, se infectado.
Segundo ele, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o ministro da Advocacia-geral da União (AGU), Bruno Bianco, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, que testaram positivo para o novo coronavírus, "tomaram alguma coisa" para se tratarem da doença.
Sem apresentar provas ou ser contestado pelos entrevistadores, Bolsonaro afirmou ainda, durante a entrevista, que o "pavor" da covid leva a queda de imunidade, e, assim, pode aumentar a possibilidade de infecção. "Tem estudos reais aí fora de que quem se imunizou pelo vírus está dez vezes mais imunizado que pela vacina", disse, ainda, sem tampouco citar estudos científicos. A vacinação é considerada a melhor forma de vencer a pandemia e a imunidade trazida pela infecção é muito menos duradoura, como já mostrou a ciência. "A história vai demonstrar que nós fizemos a coisa certa", finalizou Bolsonaro sobre o assunto.
Precatórios
O presidente voltou a reconhecer, a "bomba fiscal" representada pelo pagamento de precatórios de 2022, mas afirmou que o impasse é uma armação contra o seu governo. "Se tiver que pagar todos os precatórios ano que vem, não vai ter orçamento, vou entregar a chave para alguém", declarou Bolsonaro na entrevista à Jovem Pan. "Temos que negociar. Nós sabemos que precatórios, em grande parte, são armação, para ser educado. Mas vamos vencer", acrescentou. "(Precatórios) Atendem, em grande parte, Estados do Nordeste. É um negócio que começou em 2002 e vem estourar no meu colo agora, parece que era programado estourar isso aí no meu colo nesse momento".
O chefe do Executivo confirmou ao longo da entrevista que o governo negocia a questão dos precatórios com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e outros ministros.