Uma idosa de 83 anos foi resgatada em situação de extrema vulnerabilidade em uma residência de Londrina, no norte do Paraná. O caso veio à tona após o Corpo de Bombeiros atender um princípio de incêndio no imóvel e encontrar a mulher com sinais severos de desnutrição, sem condições adequadas de higiene e vivendo em meio à sujeira.
O filho da idosa, Vilmar Aparecido dos Santos, de 45 anos, foi preso na segunda-feira (22), um dia após a ocorrência, suspeito de maus-tratos. No entanto, ele foi liberado após audiência de custódia e deverá manter distância mínima de 100 metros da mãe enquanto as investigações prosseguem.
Segundo a Polícia Militar, vizinhos relataram que o homem dizia havia meses que a mãe estava morta. Eles só descobriram que ela continuava viva por causa do atendimento dos bombeiros durante o princípio de incêndio.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, moradores afirmaram que o suspeito praticava agressões contra a idosa, chegando a empurrar a cabeça dela em um tanque com água e obrigá-la a beber. Também informaram que já haviam sido feitas denúncias ao CRAS e ao CREAS antes da descoberta do caso.
Durante a vistoria na residência, os policiais encontraram um ambiente insalubre. O fogão estava sem gás e com restos de comida, não havia geladeira nem alimentos adequados para consumo, o banheiro não possuía chuveiro e o vaso sanitário estava em condições precárias. No quarto onde a idosa permanecia havia lixo espalhado pelo chão e roupas ensacadas, além de ser o local onde ocorreu o princípio de incêndio.
A Polícia Militar também constatou que a mulher não tomava banho havia muito tempo e apresentava diversos problemas de saúde, além de sinais evidentes de desnutrição.
Os policiais encontraram ainda documentos que indicam que o filho administrava a aposentadoria da mãe por meio de uma procuração assinada em 2011. Também foram localizados um contrato de empréstimo em nome da idosa e um seguro de vida vencido, no qual Vilmar constava como beneficiário.
Em depoimento à Polícia Civil, o homem negou todas as acusações. Ele afirmou ser filho adotivo da idosa e disse que sempre cuidou dela. Alegou que a falta de higiene ocorreu porque a mãe se recusava a tomar banho e que a família vivia em situação de pobreza. Segundo ele, os banhos eram realizados com baldes, pois a casa não possui chuveiro, e o gás de cozinha havia acabado poucos dias antes.
A Polícia Civil investiga se, além dos maus-tratos, houve cárcere privado e apura se a idosa recebia acompanhamento da rede pública de saúde. Após o resgate, ela foi acolhida pela assistência social da Prefeitura de Londrina e encaminhada para um abrigo especializado.