Nesta quinta-feira (28), o delegado chefe da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama (7ª SDP) informou que não há novidades sobre o caso do desaparecimento de quatro homens em Icaraíma. “Seguimos com as investigações. Sem atualizações no momento”, disse Gabriel Menezes. A “serenidade” do caso também se aplica às procuras, que nesta semana, seguiram amenas.
Na semana passada, entretanto, houve forte mobilização das forças de segurança. Equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros realizaram buscas extensas pela região. O Grupo Tigre, unidade especial da Polícia Civil, acompanha o caso desde o primeiro dia, enquanto os investigadores levantam imagens de câmeras de segurança e verificam relatos de disparos, bunkers e casas abandonadas.
O grupo desaparecido é formado por Alencar Gonçalves de Souza, morador de Icaraíma, e pelos paulistas Robishley Hirnani de Oliveira, de 53 anos, Rafael Juliano Marascauti, de 43 anos, e Diego Henrique Afonso, de 39 anos. Segundo as investigações, os três vieram ao Paraná para cobrar dívidas de uma negociação de terreno com a família Buscariollo. O principal foco das apurações é homicídio, embora outras hipóteses não tenham sido descartadas.
Os suspeitos Antônio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho Paulo Ricardo, de 22 anos, tiveram prisão preventiva decretada em 8 de agosto, mas permanecem foragidos. Antônio possui passagem por posse ilegal de arma; Paulo Ricardo não tem antecedentes criminais registrados, segundo a Polícia Civil.
A trajetória do desaparecimento revela tensão e mistério. Os cobradores deixaram São Paulo em direção a Icaraíma, percorrendo mais de 600 km até a cidade. No dia 5, câmeras registraram os quatro homens juntos em uma padaria local, tomando café e conversando normalmente. Pouco depois, seguiram para a fazenda dos Buscariollo e não retornaram. Um dia antes eles já haviam se encontrado com pai e filho.
Após o desaparecimento, surgiram rumores de tiros na manhã do dia 5, bunkers subterrâneos e casas abandonadas ligadas ao contrabando de mercadorias. Denúncias anônimas indicaram pontos estratégicos para armazenamento ilegal próximos ao rio Ivaí, mas varreduras minuciosas com cães farejadores, mergulhadores e drones não localizaram os desaparecidos, o carro ou quaisquer vestígios de violência.
A frustração e a angústia das famílias contrastam com o silêncio e a fuga dos suspeitos. Antônio e Paulo Ricardo desapareceram após a decretação da prisão preventiva, deixando casas e bens para trás, reforçando suspeitas de envolvimento direto no desaparecimento. Para moradores, o histórico do caso contribui para o clima de medo que ainda paira sobre Icaraíma.
Entre as perguntas que permanecem sem resposta estão: os quatro homens foram mortos e ocultados com frieza? Ou ainda podem estar vivos, mantidos em algum cativeiro secreto? Até agora, nenhum vestígio confirma qualquer cenário, e as investigações seguem em aberto, dependentes de novas pistas.
Enquanto isso, o delegado Menezes reforça a importância da colaboração da população. Cada informação confiável pode ajudar a desvendar o que aconteceu com Alencar, Diego, Rafael e Robishley, que seguem desaparecidos desde 5 de agosto, e a trazer algum fechamento para suas famílias, que vivem entre a dor da perda e a incerteza do destino dos entes queridos.