Mesmo sem casos registrados de intoxicação por bebidas adulteradas por metanol, a Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (SMS) está em alerta para casos, diante dos recentes registros em São Paulo. O mesmo anunciou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) nesta quarta (1). O secretário estadual da Saúde, Beto Preto (PSD) também informou que uma equipe de sua pasta está verificando junto a farmácias de manipulação a possibilidade que elas produzam emergencialmente Etanol puro 100% para usar como antídoto à intoxicação por Metanol, se o Paraná também também for afetado pela distribuição de bebidas adulteradas.
O Etanol Puro 100% não é um produto encontrado facilmente e é o único antídoto disponível no país. Um homem de 49 anos morreu em casa, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), nesta terça-feira (30), após suspeita de contaminação por metanol. Ele se soma a outros cinco mortes no estado de São Paulo.
“Nossa equipe está procurando hoje etanol, inclusive, grandes farmácias magistrais, que manipulam medicamentos, fitoterápicos, por exemplo. Quem sabe alguém pode ter condição de formular um etanol puro de 100% para tentar fazer um contraponto disso”, falou Beto Preto. “Pode ser injetado de maneira endovenosa, diluído. Agora, não é fácil. O medicamento que existe nos Estados Unidos é o Fomepizol, acho que é esse o nome, sequer foi submetido a avaliação no Brasil para ser aprovado na Anvisa. É algo que não é feito para ter na farmácia da esquina.”
A secretaria de Saúde de Curitiba reforça que, neste momento em que as autoridades policiais conduzem investigações a respeito da origem das adulterações de bebidas alcoólicas no País, é necessário que a população redobre os cuidados ao adquirir e ingerir esses produtos, buscando se certificar da origem e autenticidade.
O metanol é um álcool industrial tóxico, que é usado na indústria química para produzir solventes, plásticos, resinas e produtos farmacêuticos. Ele é um líquido incolor, com cheiro parecido ao álcool comum, que não permite a sua identificação a olho nu ou testes caseiros. Não existe um volume seguro de consumo de metanol.
De acordo com diretor do Departamento de Epidemiologia da SMS, o médico Alcides Oliveira, em situação de intoxicação, como nos casos registrados em São Paulo, é crucial a intervenção de saúde o mais breve possível. “É importante o paciente ou quem o acompanha relatar que houve consumo de bebida alcóolica. O metanol é altamente tóxico e pode levar a sequelas, como a cegueira. Em caso graves, pode ocorrer o óbito”, explica.