O Paraná perdeu 270 agências bancárias locais nos últimos cinco anos. segundo dados do Banco Central. O número de agências passou de 1.406 em dezembro de 2017 para 1.136 em dezembro de 2022. Especialistas especulam sobre as causas, mas o principal seria o avanço dos meios digitais de contato entre clientes e as instituições, além do avanço dos chamados bancos digitais, que nem têm lojas físicas de atendimento.
“Antes, as pessoas tinham conta em um determinado banco porque aquele era o único com uma agência bancária na cidade dela. Hoje, pelo celular, o cliente acessa um banco completo e pode pagar boleto, contratar um seguro, pedir um empréstimo, fazer investimentos, inclusive internacionais, sem sair de casa”, diz Maxnaun Gutierrez, head de produtos e pessoa física do banco digital C6 Bank, explicando que são vários os motivos que levam um usuário a utilizar somente os meios digitais.
Hoje, além dos bancos digitais, as tradicionais instituições também estimulam cada vez mais que seus clientes utilizem os serviços online, o que provoca menos idas às agências físicas.
O Paraná foi o estado da região sul que mais perdeu agências bancárias. No comparativo com o Santa Catarina, que perdeu 138 unidades, a diferença foi de 48%. Ainda no mesmo período, o Rio Grande do Sul perdeu 205 agências.
Com a soma dos três estados, o Sul se tornou a segunda região do país que mais perdeu agências físicas. A região Sudeste, que perdeu 2.408 bancos, ficou em primeiro lugar. Se no Sul a proporção de perdas bancárias foi de 15,78% do total há cinco anos, na região Sudeste a baixa chegou a 22,06%.
O Brasil conta com 17.216 agências bancárias, 18,26% a menos do que o número registrado há cinco anos. Uma pesquisa global da Mambu, fintech alemã de soluções para o setor financeiro, mostrou que 73% dos brasileiros fazem transações e pagamentos recorrentes pelos meios digitais.
“Os motivos para o fechamento de tantas agências bancárias são vários: envolve desde a redução de custos aliada a mudança de hábito dos clientes, que estão ficando cada vez mais digitais”, continua Gutierrez.
A facilidade dos processos digitais incluem não somente a disponibilidade em qualquer lugar, como o baixo custo também. O Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo BC em novembro de 2020, por exemplo, já foi utilizado por mais de 140 milhões de brasileiros.
Na esteira, os bancos tradicionais também investem pesado em tecnologia e novos produtos digitais.
Pandemia
A quantidade de agências bancárias no País atingiu seu pico em março de 2015, quando eram 23.154 no Brasil todo. A partir disso, o número vem em declínio e se acentuou com a pandemia do novo coronavírus.
Boa parte do fechamento de agências aconteceu durante o período mais duro da pandemia, momento também em que o brasileiro aprendeu a usar mais os serviços de forma online, obrigado a ficar em casa ao longo das fases de lockdown provocado pela pandemia.
O resultado nefasto de toda essa facilidade é o desemprego para milhares de bancários que, praticamente da noite para o dia se viram sem trabalho.
Colaborou Lívia Berbel, sob supervisão de Mario Akira
Resultado
Caixa fecha 2022 com lucro de R$ 9,2 bilhões
A Caixa registrou um lucro líquido de R$ 9,2 bilhões em 2022, lucro líquido contábil de R$ 9,8 bilhões e patrimônio líquido de R$ 122,6 bilhões, o que representa um aumento de 9,9% em 12 meses, de acordo com balanço divulgado ontem pelo banco. Segundo os dados, o saldo na carteira de crédito total foi R$ 1 trilhão, com crescimento de 16,7% sobre 2021, com saldo de R$ 637,9 bilhões na carteira de crédito imobiliário (+ 13,6% ).
Foram registrados R$ 509,8 bilhões em originação de crédito total, com crescimento de 16,6% em relação a 2021; R$ 161,7 bilhões em contratações de crédito imobiliário, representando crescimento de 15% sobre 2021; R$ 91,2 bilhões em contratações de crédito imobiliário linha de crédito do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com crescimento de 10,1% em comparação a 2021; R$ 70,5 bilhões em contratações de crédito imobiliário FGTS, representando crescimento de 22,2% em comparação a 2021.
De acordo com o vice-presidente de Finanças e Controladoria da Caixa, Marcos Brasiliano Rosa, o resultado do banco não se mede exclusivamente pelo seu lucro e sim pela forma como entrega resultados para a sociedade e no papel que exerce no desenvolvimento do país quando empresta recursos para todos.
Ele destacou que o banco pagou no ano passado R$ 308,9 bilhões em benefícios sociais, R$ 123,8 bilhões em benefícios do INSS (crescimento de 9,1% em relação a 2021), R$ 111,4 bilhões em benefícios do Auxílio Brasil (crescimento de 345,7% em relação a 2021).