Considerada destaque na agricultura nacional, a região Oeste do Paraná já está com todos os grãos de soja e milho plantados. A informação consta no último boletim do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, divulgado na terça-feira (22).
Ao todo foram plantados 523.902 hectares na área de abrangência do núcleo de Cascavel e outros 489.700 hectares na regional de Toledo; mais de 1 milhão de hectares dos 5,728 milhões de todo Estado. Crescimento de 1% na área plantada em relação a safra do ano passado, quando foram plantados 5,570 hectares.
A previsão é de que a safra deste ano seja 78% maior do que no ano passado, quando o Paraná enfrentou diversos problemas climáticos, incluindo o excesso de chuva e também a escassez dela em períodos considerados fundamentais para o desenvolvimento do grão.
Conforme o Deral, a produção da soja na safra 2022/23 deve chegar a 21,467 milhões de toneladas, contra 12,048 milhões de toneladas da safra anterior (2021/22). A produtividade média é estimada em 3.747 quilos por hectare, bem acima dos 2.136 do ano anterior.
Em todo Estado, segundo o Deral, 95% do plantio de soja é considerado em boas condições, 4% média e 1% ruim. Os grãos em sua maioria estão na fase do chamado crescimento vegetativo, com 67% e 37% em fase de germinação.
Projeto polêmico de taxação é retirado de pauta
Paralelo à safra que promete ser recorde e deixar de lado os problemas enfrentados pela agricultura no ano passado, outro ponto está deixando os produtores ‘de cabelo em pé’.
Essa semana, o Governo do Estado encaminhou um Projeto de Lei à Assembleia estabelecendo uma taxação de produtos do agronegócio do Paraná. Ela previa a tributação das operações de comercialização de milho, soja, trigo, cana de açúcar, mandioca, toras, gado, suíno e frangos, principais itens produzidos no Estado. A ideia é criar o Fundo de Desenvolvimento de Infraestrutura e Logística do Estado.
Diversas entidades ligadas ao agronegócio criticaram o Projeto e, no dia seguinte, o Governo retirou o assunto da pauta. Com isso, o governo deve reformular a proposta, conversando com o setor produtivo.
À grosso modo, o projeto tinha como principal objetivo o pagamento de uma ‘contribuição opcional’, por adesão dos agricultores. Condição necessária para manter os produtores sob o sistema de diferimento de ICMS, isentando-os do pagamento do tributo. Quem não optasse pelo Fundo, voltaria ao ICMS integral sobre a produção, o que tornaria o Fundo o mais viável.
Ainda nesta semana, o Governo de Goiás encaminhou projeto semelhante à Assembleia daquele estado e, já na primeira votação, agricultores invadiram o plenário e impediram que o projeto seguisse adiante.
Deputados contrários
O vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça, o deputado estadual Márcio Pacheco, se manifestou contrário a proposta de taxação de produtos do agronegócio do Paraná.
“O agronegócio é o alicerce da nossa economia. Nós, deputados que convivemos nas regiões de maior produção agrícola, sabemos o valor e o respeito que merecem os nossos agricultores. O projeto encaminhado pelo governo é bom, mas oneraria sobremaneira o nosso setor produtivo. È de fundamental importância que essa proposta seja construída com o segmento. Estou feliz em ter contribuído para a construção dessa retirada de pauta dessa proposta”, afirma Pacheco.
O deputado federal eleito Nelsinho Padovani, que tem suas origens no agronegócio, também é contrário a proposta. Pelas redes sociais, Padovani disse que é um absurdo cobrar do produtor o estoque regulador. “Quem precisa fazer isso é o mercado e o Governo Federal”.