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Em Curitiba, Lula culpa mídia por ‘clima de ódio’ após atentado
Ex-presidente encerra em Curitiba caravana que foi alvo de tiros no interior do PR
Por Bem Parana | Postado em: 29/03/2018 - 10:06

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) culpou nesta quarta-feira (28) a imprensa e a mídia brasileira pelo clima de ódio que teria resultado em um atentado contra sua caravana no interior do Paraná, na noite de quarta-feira. Dois ônibus da caravana de Lula foram alvos de tiros nas proximidades de Laranjeiras do Sul (região Central), depois de deixaram Quedas do Iguaçu. Três disparos atingiram o veículo que levava jornalistas que acompanhavam a viagem. Ninguém ficou ferido. Diante do ataque, o PT cancelou evento em Guarapuava e encerrou a caravana com um comício na praça Santos Andrade, centro de Curitiba, acompanhado por milhares de pessoas.

Desde o início, no Rio Grande do Sul, a caravana foi alvo de ataques e de bloqueios em estradas por manifestantes contrários a Lula. Após os tiros na chegada a Laranjeiras do Sul, já no Paraná, o comício em Curitiba acabou se tornando um “desagravo” suprapartidário ao petista, com a participação de lideranças de outras siglas, como os pré-candidatos à presidência do PC do B, Manoela D´Ávila, e do PSOL, Guilherme Boulos, além do senador Roberto Requião (PMDB).

“Eu só queria dizer que isso tem responsabilidade. Eu queria dizer que a imprensa foi conivente com isso o tempo inteiro. A imprensa. O culpado desse ódio no Brasil chama-se Rede Globo de Televisão”, afirmou Lula sobre o ataque. “O que eles não se conformam é que quanto mais eles falam mal de mim, mais eu cresço nas pesquisas. E aumentam o ódio deles”, afirmou.

“A gente achou que quando chegasse no Paraná ia ter tranquilidade. Em São Miguel do Oeste um cidadão de uma laje escura começou a jogar pedra nas pessoas. Tinha mulher com criança de colo”, reclamou Lula.

Mentira
O ex-presidente voltou a rechaçar as acusações da operação Lava Jato que levaram à sua condenação a nove anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro, em razão do caso do tríplex do Guarujá. “Eu estou sendo vítima de uma mentira do jornal O Globo. Da Polícia Federal, da Lava Jato. Do Ministério Público que fez uma acusação mentirosa. E do Moro que fez uma sentença mentirosa me condenando há 9 anos. Eu desafio todo dia eles a provarem um crime que eu tenha cometido. Eles invadiram minha casa e não encontraram nada. Eles deveriam ter vergonha e pedir desculpa para mim”, disse.

Segundo Lula, o processo seria uma forma de tentar impedi-lo de concorrer à Presidência. “O que eles têm preocupação conosco vocês vão ver na próxima pesquisa. Os tucanos não têm candidato. O DEM não tem candidato. Já tentaram lançar o homem do Caldeirão”, comentou, sobre o apresentador de TV Luciano Huck, que desistiu de concorrem.

De acordo com o petista, a agressividade contra seu partido teria sido motivada por ódio de classe. “Eles sabem que eu sei como consertar esse País. Porque quando eu peguei o Brasil em 2002, tava pior do que hoje. Eles não suportam que seja um metalúrgico sem diploma universitário o presidente que mais fez universidades no País. O que eles não se conformam é que nós fizemos o maior programa habitacional. Que nós colocamos negros e pobres na universidade. Eles não aceitam a ascensão social”, afirmou.

Gaeco e polícia abrem investigação

Duas equipes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), grupo de elite da Polícia Civil do Paraná, foram designadas ontem pela Secretaria de Segurança do Estado (Sesp) para reforçar as investigações sobre os tiros disparados contra ônibus da caravana do expresidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paralelamente, a pedido do (PT, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, também vai investigar atos de violência contra a caravana. Uma equipe da 2ª Promotoria de Justiça de Quedas do Iguaçu (Sudoeste) foi destacada para reunir provas. O PT afirma que dez suspeitos de ataques já foram identificados.

Na quarta-feira, o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia entregou ao procurador Olympio de Sá Sotto Maior Neto, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos, um apanhado de notícias de supostos crimes praticados contra o grupo que acompanha o ex-presidente na viagem pelo Paraná.

“Não é apenas uma ignorância e falta de civilidade. Estamos diante da prática de crimes, à insitação à prática de crimes, à apologia à prática de crimes e ações concretas que culminam até com tentativa de homicídio”, disse ele.

Na terça-feira, dois ônibus que integravamm a caravana foram alvejados por pelo menos três tiros quando seguiam de Quedas do Iguaçu a Laranjeiras do Sul, Sudoeste, na PR-473. Diante da possibilidade da ocorrência de outros crimes, inclusive nas redes sociais e grupos de WhatsApp, a PGJ encaminhou a matéria para ser investigada pelo Gaeco.

Na quarta, surgiu a informação de que o delegado Wikinson Fabiano Oliveira de Arruda, que inicialmente atendeu a ocorrência em Espigão Alto do Iguaçu, teria sido afastado do caso pela Secretaria de Segurança e substituído pelo delegado Helder Lauria, de Laranjeiras do Sul, além do Cope. Antes disso, Arruda afirmou que as marcas nos ônibus eram resultado de disparos de armas de fogo e classificou o caso como tentativa de homicídio. A secretaria, porém, negou o afastamento e alegou que desde o início, quem conduziu o inquérito policial foi o Lauria, e que Arruda é delegado adjunto e acompanharia a investigação ao lado do titular.

Na manhã de quarta, o novo delegado classificou as declarações do subordinado como “superficiais”. “Estamos tratando (o caso) como disparo de arma de fogo e dano. Não estamos tratando como tentativa de homicídio”, disse.

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