Uma mulher, de 63 anos, mantida em cárcere privado por pelo menos 20 anos em Vinhedo, interior de São Paulo, foi libertada pela Polícia Civil na noite desta segunda-feira, 24. Ela naceu no município de Colorado, no norte do Paraná, de onde teria saído para trabalhar como doméstica em Campinas (SP). De acordo com as investigações, a família dela tinha aberto um Boletim de Ocorrência (BO) por desaparecimento. Ela foi encontrada em uma casa, onde a polícia fazia diligência para prender um casal suspeito de praticar estelionato.
A vítima era mantida em situação análoga à escravidão e obrigada a cuidar da mãe da mulher presa, de 88 anos, sem receber nenhum salário ou benefício pela função. Os suspeitos retinham o documento da mulher e, após solicitação, foi entregue aos policiais na delegacia. A idosa vivia em dois cômodos sem acesso à rua e não tinha nenhum contato com o mundo externo. Ela veio do Paraná para o estado de São Paulo para trabalhar como empregada doméstica na residência do casal, primeiro em Campinas e depois em Vinhedo, mas nunca recebeu dinheiro por isso. A vítima também já foi agredida pelos criminosos.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o casal usava uma conta aberta no nome da vítima de 63 anos para aplicar golpes em comércios no bairro Vila João XXIII, em Vinhedo. "Eles abriram a conta com a justificativa de pagar o salário dela, mas nunca pagaram e começaram a dar cheques em lojas para praticar o estelionato", explicou a delegada Denise Margarido.
O casal foi preso e será indiciado por estelionato, tortura e cárcere privado.
A idosa de 88 anos que era cuidada pela vítima de 63 anos estava muito debilitada e foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo. Já a idosa que era mantida em cárcere privado foi levada para um abrigo municipal.
De acordo com a Polícia Civil, o casal e as idosas viviam em casas separadas, mas os suspeitos iam até a residência das mulheres todos os dias. A mulher tinha passagem por agressão na décadas de 1970 e o homem não tinha antecedentes criminais.